27 de fev de 2014

MEDITAÇÃO - Parte 3 - Extraído do Livro CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA de Richard Foster

Como Meditar – Exercícios Específicos

Há uma progressão na vida espiritual... Por isso eu recomendaria começar com um período diário de cinco a dez minutos. Este tempo destina-se a aprender a “concentrar-se”, “acalmar-se. É tempo para ficar quieto, e concentrar-se.

Exercícios para concentrar-se: 


O primeiro é “palmas para baixo, palmas para cima”. Comece colocando as palmas das mãos voltadas para baixo, como indicação simbólica de seu desejo de transferir para Deus quaisquer preocupações que você possa ter. Interiormente você pode orar: “Senhor, eu te dou minha ira contra o João. Liberto o medo que tenho de ir ao dentista esta manhã. Rendo-te minha ansiedade por não ter dinheiro suficiente com que pagar as contas deste mês, e etc... Seja o que for que pese em sua mente ou que o preocupe, simplesmente diga-o, com as “palmas para baixo”. Você pode até sentir certo senso de libertação nas mãos. Após alguns momentos de submissão, vire as palmas das mãos para cima, como símbolo do desejo de receber algo do Senhor. Você pode orar silenciosamente, dizendo: “Senhor, gostaria de receber teu divino amor para o João, tua paz com referência à cadeira do dentista, tua paciência, tua alegria.” Qualquer que seja sua necessidade, diga-a, com as palmas das mãos “para cima”. Tendo-se concentrado, passe os momentos restantes em completo silêncio. Não peça nada. Permita que o Senhor comungue com seu espírito, que o ame. Se as impressões ou direções vierem, ótimo; se não, ótimo.


Outra meditação com vistas a concentrar-se começa com a respiração. Tendo-se assentado confortavelmente, inspire profundamente, e com vagar vá inclinando a cabeça para trás até onde possível. Depois expire, permitindo que a cabeça venha lentamente para a frente até que o queixo quase se apóie no peito. Faça isto durante alguns momentos, orando interiormente algo assim: “Senhor, exalo o medo que tenho do exame de Geometria, inalo tua paz. Exalo minha apatia espiritual, inalo tua luz e vida.” Então, como antes, fique em silêncio exterior e interiormente. Esteja atento ao Cristo vivo no interior. Não desvie sua atenção.

Encerre cada meditação com uma autêntica expressão de ações de graças.
Depois de um pouco de experiência, acrescente uma meditação de cinco a dez minutos sobre algum aspecto da criação. Escolha algo na ordem criada: árvores, plantas, pássaros, folhas, nuvens, e pense sobre isso com cuidado e em oração. Deus usa a natureza para nos mostrar sua glória. Ouça a voz de Deus por meio desta meditação.

Chegamos então a meditação das Escrituras que concentra-se em internar e personalizar a passagem. A Palavra torna-se viva e endereçada a você.

Tome um simples acontecimento, como a ressurreição, ou uma parábola, ou uns poucos versículos, ou mesmo uma simples palavra e deixe que isso crie raízes em você. Sinta o cheiro do mar. Ouça o barulho das águas ao longo da praia. Veja a multidão. Sinta o sol, prove o sal do ar. Toque a orla do manto de Cristo.
Participe ativamente e encontre o Cristo Vivo no acontecimento, ouça sua voz e seja tocado por seu poder curador. Isto é ser mais do que um exercício da imaginação, Jesus Cristo realmente virá a você.
Este não é o momento para estudos técnicos e teológicos, receba a Palavra que lhe é dirigida,  aceite a Palavra da Escritura e pondere-a em seu coração, como o fez Maria.
Passe uma semana inteira num único texto, não tenha pressa!

Uma quarta forma de meditação tem como objetivo levar o leitor a uma profunda comunhão interior com o Pai, na qual você olha para ele e ele olha para você.

Na imaginação, veja a si mesmo caminhando por uma bonita estrada na floresta.
Não se apresse, permitindo que o som de folhas farfalhantes e riachos frescos da floresta, supere o barulho da cidade grande . Tome a perspectiva de alguém que está andando, em vez de alguém que está sendo observado. Tente sentir a brisa no rosto, levando toda a sua ansiedade. Em meio ao caminho para meditar na beleza das flores e dos pássaros. Quando puder experimentar o cenário com todos os sentidos, o caminho terminará, numa bela colina gramada. Ande pelo luxuriante e grande prado cercado por pinheiros majestosos. Deite-se de costas, olhando para cima, para o céu azul e para as brancas nuvens. Desfrute a paisagem e os odores. Dê graças ao Senhor pela beleza.
Pouco tempo depois há um anelo de entrar nas regiões superiores além das nuvens. Na imaginação, deixe que seu corpo espiritual, brilhante de luz, saia do corpo físico.. Imagine o seu eu espiritual, vivo e vibrante, subindo pelas nuvens e entrando na atmosfera.
Entre mais e mais no espaço exterior até que nada haja, exceto a cálida presença do Criador eterno. Descanse em sua presença. Ouça-O silenciosamente. Observe cuidadosamente qualquer instrução dada. Com tempo e experiência você poderá distinguir entre seus pensamentos e a comunicação de Deus em seu ser.
Não fique desapontado se não houver palavras; como bons amigos, vocês estão silenciosamente desfrutando a companhia um do outro. Chegada a hora de sair, audivelmente agradeça ao Senhor sua bondade e retorne ao prado. Ande alegremente de volta ao longo do caminho até chegar ao lar, pleno de nova vida e energia.

Há uma quinta forma de meditação, a qual, em certos sentidos, é bem o oposto da que acabamos de apresentar. Trata-se de meditar sobre os acontecimentos de nosso tempo e buscar perceber seu significado.

“... que tem meditado sobre a Paixão de Cristo mas não tem meditado sobre os campos de extermínio de Dachau e Auschwitz ainda não entrou plenamente na experiência do Cristianismo em nosso tempo. ... Na verdade, o contemplativo deve, acima de tudo, meditar e meditar sobre essas terríveis realidades tão sintomáticas, tão importantes, tão proféticas.”
Esta forma de meditação é mais bem realizada, tendo-se a Bíblia em uma das mãos e o jornal do dia na outra! Seria bom que levássemos os eventos de nosso tempo à presença de Deus e pedíssemos visão profética para discernir o rumo que esses acontecimentos tomam. Devemos pedir para Deus eu sejamos luz em meio ao nosso mundo e seu caos.
Não se desanime se no princípio suas meditações não tiverem significado. Você está aprendendo uma arte para a qual não recebeu preparo algum. Nossa cultura não nos incentiva a desenvolver essas habilidades. Tenha animo sua tarefa é de valor imenso.
A meditação não é um ato simples, nem complexa. É um modo de vida!
Você estará constantemente aprendendo e crescendo à medida que penetra as profundezas interiores.

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